A instabilidade no fornecimento de energia elétrica no Paraná e a possibilidade de aumento na tarifa dominaram o debate realizado nesta terça-feira (5), durante audiência pública da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, em Brasília. O encontro reuniu representantes do setor produtivo, órgãos reguladores e autoridades, com foco na qualidade do serviço prestado pela Companhia Paranaense de Energia e nos impactos diretos ao consumidor.
Ao longo da audiência, foram apontadas falhas recorrentes no fornecimento, especialmente quedas e oscilações de energia, além de questionamentos sobre a efetividade dos investimentos realizados e a confiabilidade dos indicadores oficiais, considerados, por parte dos participantes, distantes da realidade enfrentada no dia a dia.
Como encaminhamento, foi estabelecido o prazo de 30 dias para que a Copel e a Agência Nacional de Energia Elétrica apresentem um diagnóstico detalhado da situação no estado, acompanhado de um plano de ação com medidas concretas para melhorar o atendimento, ampliar a transparência e responder às demandas dos consumidores.
Durante o debate, o deputado federal Tião Medeiros chamou atenção para os impactos mais severos no setor agropecuário, onde a energia elétrica é essencial para a manutenção da produção.
“Não estamos falando de um problema pontual, mas de uma situação que vem se repetindo e causando prejuízos reais no campo. O produtor depende de energia para manter sua atividade e, quando ela falha, perde produção, perde renda e acumula danos que muitas vezes não são recuperados. É uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade e urgência”, afirmou.
O parlamentar destacou que as falhas no fornecimento atingem diretamente atividades como a produção de leite, avicultura e piscicultura, além de impactar cadeias produtivas inteiras. Segundo ele, a situação no meio rural tende a ser ainda mais crítica, com interrupções mais prolongadas e maiores dificuldades de resposta.
Outro ponto que gerou forte repercussão foi o anúncio de possível reajuste na conta de luz no Paraná a partir de 24 de junho. A proposta foi amplamente questionada durante a audiência, especialmente diante do cenário de instabilidade no serviço.
A audiência também evidenciou um ponto central do debate: a necessidade de revisão dos indicadores de qualidade, que, segundo diversos participantes, podem mascarar situações críticas, principalmente em regiões rurais. Além disso, houve consenso sobre a importância de fortalecer os mecanismos de fiscalização, ampliar a transparência dos dados e garantir respostas mais rápidas aos consumidores.
O encontro reforçou a pressão por soluções estruturais e colocou o consumidor no centro da discussão, diante de um cenário que, embora não seja novo, tem se intensificado e ampliado seus impactos econômicos e sociais em todo o Paraná.




